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A natureza privilegiada faz de Canela uma das cidades mais bonitas do
Rio Grande do Sul. Na Serra Gaúcha, a região mais fria do Estado, as
paisagens de Canela oferecem todas as variações do ecoturismo: da
contemplação de bosques e cascatas em mirantes às aventuras radicais. Dá
para mergulhar na natureza a pé, em trilhas, ou ainda de trenó,
bicicleta, quadriciclo motorizado, jipes 4×4. Quem se joga numa
tirolesa no meio daqueles vales verdes parece estar berrando de
felicidade, mais do que de susto.

A cidade tem cerca de 38.000 habitantes, mais do que a população de
Gramado, a vizinha famosa. Ambas compartilham as baixas temperaturas (em
qualquer época do ano), o colorido das hortênsias, azaléias e plátanos e
as formas grandiosas de pinheiros e araucárias. Como a distância é
pequena, de apenas sete quilômetros, os visitantes de uma cidade
conhecem as atrações da outra e vice-versa. E ficar hospedado em Canela
pode sair mais em conta.

A Catedral de Pedra é um dos símbolos de Canela. Seus contornos pontudos
são avistados de vários cantos e ao longo de toda a avenida Osvaldo
Aranha, onde se alinham lojas de roupas, de chocolates, de bonecos, e
também cafés, restaurantes, sorveterias. No meio do caminho está a Praça
João Corrêa, homenagem ao coronel que esteve à frente da construção da
primeira estrada de ferro da região, concluída em 1925.

A Praça João Corrêa também serve de cenário para outro símbolo querido
desta cidade gaúcha, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, no
mês de junho. O evento já tem a experiência de 21 edições. As crianças
deliram no tradicional desfile de bonecos e bonequeiros, do país e do
exterior, pela avenida principal. Elas interagem, acabam desfilando
junto. Em três teatros, há espetáculos para público adulto e infantil.

Mais recentemente, o Alpen Park tem atraído multidões de turistas e
moradores com a adrenalina resultante de seus equipamentos. O trajeto
(ainda que rápido) do trenó tem curvas e descidas de arrepiar. Na sala
de cinema 4-D, inaugurado em janeiro de 2009, os efeitos especiais fazem
a plateia gritar. E a paisagem exuberante do entorno se deixa conhecer
em passeios de quadriciclo desbravando terrenos acidentados ou na
vertigem das atividades de rapel, arvorismo, tirolesa, bungee-trampolim e
escalada.

Quem prefere curtir as férias sem capacete ou taquicardia encontra
sempre ótimos mirantes e lanchonetes no Alpen Park e também no Parque do
Caracol, o mais antigo, e no Parque da Ferradura, o mais rústico. Na
estrada de terra que liga o Parque do Caracol ao Parque da Ferradura
foram erguidas pelos moradores, ao longo das décadas, dezenas de
pequenas capelas dedicadas a santos e santas da tradição católica. As
cores das estátuas, velas e flores se destacam numa paisagem de vários
tons de verde. São cerca de seis quilômetros de trajeto sinuoso na zona
rural: serve de peregrinação.

As atrações ao ar livre, a gastronomia e as compras concentram grande
parte da programação de férias em Canela. Como em Gramado, os museus são
poucos e de acervos modestos. Na Casa de Pedra, no centro, funciona a
única sala de cinema da cidade, com sessões somente nos finais de
semana. Nos meses de festivais como o de bonecos e o Sonho de Natal, de
novembro a janeiro, a agenda cultural cresce com dezenas de espetáculos
de teatro e música.

Distante 141 km de Porto Alegre, Canela tem longo histórico como polo de
veraneio, mesmo antes de virar município, em 1944. O Grande Hotel, por
exemplo, foi inaugurado em 1916. Na época, as famílias abastadas da
capital gaúcha prolongavam a estada por semanas nesta região de
colonização europeia. Até hoje, moradores de Porto Alegre e Região
Metropolitana movimentam o mercado imobiliário escolhendo a tranquila e
refrigerada Canela para casas e apartamentos de veraneio.

O cardápio de hospedagens é diversificado. Na chamada Rota Romântica do
Estado, hotéis e pousadas mais sofisticados destacam, em geral, os
pacotes para luas-de-mel. Estruturas maiores contam com piscinas
aquecidas, praças para as crianças, lagos com peixes e aves, trilhas
privativas em bosques. As pousadas pequenas oferecem confortáveis salas
de convivência, com lareira, e aquele presente impagável que é o cheiro
de bolo e biscoito saindo do forno, porque a cozinha fica a poucos
passos da recepção.

Em qualquer época do ano é importante levar calçados e roupas quentes
para Canela, ou recursos para adquiri-los – lojas não faltam. A
temperatura costuma cair à noite, e os invernos reservam manhãs e tardes
congelantes. Em 2009, cidades gaúchas registraram temperaturas em torno
de 0ºC ainda em maio, no outono. Lençol térmico e estufa devem ser
confortos básicos na hospedagem escolhida.

Mesmo em viagens curtas, vale a pena reservar tempo para dois passeios
nos arredores, a cerca de hora e meia de automóvel: Vale dos Vinhedos e
Aparados da Serra. Dezenas de vinícolas podem ser visitadas em Bento
Gonçalves, Flores da Cunha, Garibaldi, Caxias do Sul e Monte Belo do
Sul, cidades com paisagens e arquiteturas diferenciadas. Nos parques
nacionais de Cambará do Sul, que abrigam a maior concentração de cânions
do relevo brasileiro, basta água mineral para sentir vertigem.

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"Viajar é trocar a roupa da alma."

Mário Quintana
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